AIS-SART pode substituir SART de radar? Entenda as normas, a recepção do sinal e os critérios de compra para a operação profissional.
Uma reposição de salvatagem costuma começar com urgência: vistoria próxima, bateria chegando à data de troca ou equipamento que precisa acompanhar uma nova embarcação. Mas pedir apenas “um SART” deixa uma dúvida importante na cotação: o projeto exige resposta ao radar em 9 GHz ou admite localização pelo AIS?
O AMEC PLOMO-500 é um AIS-SART destinado à localização em busca e salvamento. Este guia ajuda equipes de engenharia, manutenção, salvatagem e compras a relacionar sua aplicação às exigências da embarcação.

O que é AIS-SART e como funciona o PLOMO-500
AIS-SART é um transmissor de localização para busca e salvamento que utiliza os canais do Sistema de Identificação Automática, o AIS. O PLOMO-500 obtém sua posição por GNSS e transmite mensagens para recepção por equipamentos AIS compatíveis nas proximidades. A aplicação inclui a localização de sobreviventes em unidades de sobrevivência, como balsas salva-vidas.
Ele tem função diferente do AIS Classe A instalado no passadiço. O AMEC A750, por exemplo, participa da identificação e da troca de dados de navegação da embarcação; o AIS-SART integra o conjunto de emergência.
AIS-SART, SART de radar e EPIRB: qual a diferença?
| Equipamento | Função e sinal | Recepção |
|---|---|---|
| AIS-SART Exemplo: PLOMO-500 | Envia informações de localização pelos canais AIS em VHF. | Receptor ou transponder AIS e apresentação compatível em tela. |
| SART de radar | Responde à interrogação de radar na banda X, em 9 GHz. | Radar compatível, com o ajuste necessário para reconhecer a sequência de marcas. |
| EPIRB de 406 MHz | Transmite alerta de socorro pelo sistema satelital Cospas-Sarsat. | Cadeia de coordenação de busca e salvamento. Alguns modelos também incorporam AIS para localização próxima. |
O AIS-SART não substitui a EPIRB exigida a bordo. Alerta de socorro e localização na área do incidente são funções complementares. Tampouco basta escolher um dispositivo pessoal AIS MOB: a compra precisa corresponder à categoria e à documentação previstas no projeto.
AIS-SART pode substituir SART de radar pela SOLAS?
Sim, nos enquadramentos que admitem essa alternativa. A aceitação do AIS-SART na SOLAS está em vigor desde 1º de janeiro de 2010, a partir da Resolução MSC.256(84). A revisão do capítulo IV, vigente desde 1º de janeiro de 2024 pela MSC.496(105), explicita radar SART ou AIS-SART nas regras de dotação.
Para os navios abrangidos pelo capítulo IV, a regra IV/7 estabelece os seguintes mínimos:
| Enquadramento | Dotação de localização |
|---|---|
| Navio de carga com 300 ≤ AB < 500 | Pelo menos um radar SART ou AIS-SART. |
| Navio de carga com AB ≥ 500 | Pelo menos um radar SART ou AIS-SART em cada bordo. |
| Navio de passageiros abrangido | Pelo menos um radar SART ou AIS-SART em cada bordo. |
AB significa arqueação bruta; não é peso em toneladas. A regra IV/7.5 disciplina a estiva e a rápida transferência às unidades de sobrevivência, com alternativas e arranjos específicos. O inventário aprovado deve orientar a distribuição, inclusive quando há embarcação salva-vidas de queda livre.
A quantidade não resulta de uma fórmula genérica por número de tripulantes. Lotação, passageiros e pessoal industrial influenciam o enquadramento e os meios de abandono, mas não autorizam aplicar uma razão universal de “um SART para cada tantas pessoas”.
Como aplicar as NORMAM no Brasil
Para navegação em mar aberto, a NORMAM-201/DPC, nos itens 4.29 a 4.33, remete à SOLAS nos enquadramentos nela definidos, considerando área de operação, arqueação, atividade e data de batimento de quilha.
A mesma norma mantém exigências expressas de transponder de 9 GHz em determinados casos, como pesca com AB ≥ 300 nas áreas A1–A3 e embarcações com AB < 300 que operam em A3 ou A4. Quando a exigência aplicável especifica 9 GHz, a proposta de substituição por AIS-SART precisa de aceitação documentada pelo responsável competente. A alternativa prevista na SOLAS não deve ser estendida automaticamente a toda embarcação brasileira.
Na navegação interior, a NORMAM-202/DPC não cria obrigação geral de AIS-SART para toda balsa ou embarcação de passageiros. Devem ser verificados também as normas e procedimentos locais da Capitania competente (NPCP/NPCF), o certificado e o plano aprovado da embarcação.
PLOMO-500 em balsas, rebocadores e operações offshore
Balsa salva-vidas e balsa de travessia são aplicações diferentes
A balsa salva-vidas é um meio de sobrevivência usado no abandono. A balsa de travessia transporta pessoas, veículos ou carga. Ter “balsa” na descrição da operação não determina, por si só, a obrigação de levar AIS-SART.
Para navios ro-ro de passageiros abrangidos, a SOLAS III/26.2.5 prevê um dispositivo de localização para cada quatro balsas salva-vidas, com requisitos de montagem e identificação. Essa proporção não se aplica automaticamente a toda travessia brasileira. A instalação em casulo ou conjunto selado deve ser tratada com a estação autorizada e o responsável pelo arranjo de salvatagem.
Rebocadores, apoio marítimo e transporte de passageiros
São segmentos relevantes para avaliar reposições e novos conjuntos de emergência. A indicação do AIS-SART depende da navegação, arqueação, classificação, documentação e exigências do operador ou afretador. Uma exigência contratual pode ser adicional à dotação regulamentar; por isso, a especificação deve acompanhar a consulta comercial.
Unidades móveis de perfuração e embarcações especiais
O Código MODU 2009, atualizado pela MSC.506(105), contempla radar SART ou AIS-SART nas embarcações salva-vidas e dispositivos disponíveis para transferência às balsas nas unidades abrangidas. É uma aplicação para análise com a equipe de salvatagem, sem estender o regime automaticamente a FPSO ou plataforma fixa.
Em embarcações de alta velocidade ou de propósito especial, confira também o código e o certificado próprios da unidade. Empresas de revisão de balsas, estaleiros e integradores podem participar da especificação e do fornecimento desses conjuntos.
Compatibilidade: ter radar a bordo é suficiente?
Para receber o PLOMO-500, é necessário AIS compatível. Um radar sem recepção ou integração AIS não detecta suas mensagens como se fossem a resposta de um SART de 9 GHz. Quando o alvo aparece em uma tela de radar por sobreposição AIS, a informação veio do sistema AIS.
Na reposição, identifique o receptor ou transponder e a tela que apresenta os dados: AIS dedicado, ECDIS ou plotter. Confirme reconhecimento do alvo AIS-SART, configuração e apresentação das mensagens. Telas antigas podem apresentar o dispositivo de forma diferente; não se deve prometer o mesmo símbolo ou alarme sonoro em qualquer equipamento. O boletim técnico 12/2025 do Transport Canada discute essas limitações de apresentação.

Autonomia, bateria, conservação e testes
A especificação oficial do PLOMO-500 informa autonomia mínima de 96 horas, bateria primária de lítio não recarregável, seis anos de armazenamento e flutuabilidade. O modelo é destinado ao ambiente marítimo, com faixa operacional de −20 °C a +55 °C.
Confira a data indicada na bateria da unidade fornecida: os seis anos de armazenamento não começam automaticamente na compra. O manual oficial, versão 1.32, orienta inspeção física mensal e autoteste a cada seis meses. Testar em excesso consome bateria.
Realize o autoteste ao ar livre, com visão desobstruída do céu, seguindo o manual e sem transmissão real de emergência. Alguns plotters filtram mensagens de teste; confira a configuração antes de concluir que existe falha.
Após ativação real, encaminhe o aparelho para a manutenção prevista antes de devolvê-lo ao conjunto de emergência. A troca da bateria deve seguir a orientação da assistência autorizada. Conserve o conjunto limpo e seco; utilize água doce quando necessário e evite solventes.
A haste permite elevar o equipamento, e a cobertura da balsa pode prejudicar o desempenho. Respeite a montagem indicada pelo fabricante: flutuar não significa que o aparelho solto na água esteja na posição correta de operação.
Certificação e o que conferir antes da compra
O PLOMO-500 possui certificado de tipo MED para AIS-SART e homologação ANATEL. A documentação técnica relaciona a Resolução IMO MSC.246(83), a IEC 61097-14 e a IEC 60945. Na compra profissional, confira os documentos do modelo e a correspondência com o exemplar e com a especificação exigida para a embarcação.
Para uma cotação que possa avançar sem retrabalho, encaminhe:
- Tipo de embarcação ou unidade, bandeira, arqueação bruta e área de navegação.
- Especificação, plano ou lista de exigências, indicando AIS-SART ou SART de radar.
- Modelo atual e motivo da reposição, quando houver.
- Quantidade, arranjo de salvatagem, acessórios e documentação solicitada.
- Local de entrega e data em que o equipamento precisa estar disponível.
PLOMO-500 com estoque em Itajaí e orientação técnica
A NAVITEC mantém o AIS-SART AMEC PLOMO-500 em estoque local em Itajaí, Santa Catarina, com possibilidade de expedição no mesmo dia após a confirmação do pedido. O prazo de chegada depende da transportadora e do destino.
Precisa repor um SART ou equipar uma nova unidade? Envie a especificação para falar com a equipe NAVITEC. Podemos orientar a seleção do modelo, conferir o conjunto e apresentar a documentação para análise da sua aplicação.
Veja também o guia de equipamentos AMEC para navegação, busca e salvamento e balizamento.
Referências: documentos oficiais da IMO e da DPC vinculados ao longo do texto, ficha técnica e manual AMEC PLOMO-500 V1.32. Revisão técnica: outubro de 2026. O enquadramento da dotação deve acompanhar os documentos e o arranjo aprovado da embarcação.